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13 outubro 2017

Na Prática: Como identificar as Múltiplas Inteligências na Educação Infantil

As famosas inteligências do ser humano

 

Em princípio, precisamos definir o que é inteligência antes de avançar para a proposta do teórico Howard Gardner sobre as Múltiplas Inteligências.

 

Podemos considerar a inteligência como a capacidade de entender, compreender e conhecer, além de ser juízo e facilidade de adaptação e convivência (ANTUNES, 2006).  Pensar nesta definição genérica propõe que o ser humano tem habilidades inatas e adquiridas conforme vai crescendo e aprendendo sobre e com o meio que interage.

 

“Somos quem somos porque lembramo-nos das coisas que nos são próprias e nos emocionam e a inteligência faz com que cada ser humano seja um ser único, saiba que é um indivíduo” (ANTUNES, 2006, p.20)

 

Partindo desta premissa, nos apropriamos dos estudos do norte-americano Howard Gardner que utilizou como referência científica algumas evidências biológicas e antropológicas para embasar suas pesquisas. Desta forma, ele propôs oito critérios distintos para a inteligência e sete competências humanas que nos são próprias e outras conquistadas. Porém, alguns anos mais tarde, foram encontradas mais duas inteligências para agregar suas afirmações.

 

A proposta de Gardner ao apresentar as Múltiplas Inteligências, era superar os conceitos de que era sempre necessário valorizar as coisas mais abstratas, se comunicar de forma eloquente ou compreender signos.

 

Para ele a inteligência vai muito além destas concepções, cada pessoa terá mais facilidade em determinadas situações do que outras, mas isto irá depender de suas características pessoais e do ambiente na qual está inserido.

 

A inteligência “não é uma ‘coisa’ que vem de fora ou se capta do meio, mas um processo interativo de construção e reconstrução interior e que, portanto, não pode ser ‘transferido’ de um indivíduo para o outro” (ANTUNES, 2006, p.25-26).

 

Visto que esta competência é algo próprio de cada pessoa, entendemos como as oito/nove inteligências se manifestarão de formas variadas e em diferentes graus, por isso os professores precisam ficar atentos aos seus alunos e promover práticas que desenvolvam àquelas que lhes faltam, assim como atividades para melhorar as que já possuem.

 

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De acordo com Martins (2011) as “múltiplas inteligências […] só se desenvolvem se valorizadas e estimuladas pelo ambiente […] é preciso que o processo educativo seja estimulante […] garantindo uma aprendizagem significativa”. A vontade, o esforço e a busca por aprender, associada ao ambiente, aumenta a capacidade da pessoa possuir mais inteligências.

 

O meio pelo qual a criança será estimulada precisa ser o mais diversificado possível, assim como é necessário que as intervenções mediadoras dos professores consigam ser incisivas para capacitarem-nas enquanto ainda pequenas. Independente da idade em que se estimulam as Múltiplas Inteligências, durante os dois aos seis anos as crianças estão mais suscetíveis em assimilar e desenvolver as inteligências que ela possui.

 

 

Por esta fase da vida ser mais sensível, o potencial de assimilação é maior, então práticas DIVERSIFICADAS (nunca se esqueçam disso) que envolvam o aprendizado de forma prazerosa trará bons resultados.

 

As Múltiplas Inteligências aplicadas na Educação Infantil

 

Pelo fato das pessoas serem diferentes e constituírem mentes diversificadas, os professores devem levar isto em consideração na hora de proporem as práticas educativas, pois assim o aprendizado surtirá mais efeito ao respeitar as singularidades de cada um. No entanto, precisamos ter em mente que mesmo uma criança não tendo nascido com certas habilidades, a condição humana a permite desenvolver as inteligências quando praticadas corretamente sem forçá-la ou proibi-la, em alguns casos, a aprender.

 

Não julgar ou medir quem é mais inteligente, é um dos caminhos para potencializar o aprendizado dos alunos. Estar sempre motivando e estimulando o uso das oito (ou nove) inteligências com atividades diferentes, ajudará muito no desenvolvimento da criança.

 

Como Martins (2011) aponta: “Ouvir atentamente o que a criança diz para ter certeza de que entendeu o que ela falou, podendo checar com ela, por meio de perguntas ou repetições, se entendeu mesmo o que ela quis dizer” é um dos meios do educador verificar se as atividades propostas estão surgindo efeito.

 

Se o aluno estiver desenvolvendo uma prática, mas esta não estiver fazendo sentindo para ele o aprendizado perde sua função, por isto é importante que o professor esteja ligado naquilo que os pequenos dizem e produzem.

 

As inteligências

 

Se entendemos que cada pessoa tem uma maior afinidade com uma(s) inteligência(s), encontrar maneiras de trazê-las à tona na Educação Infantil é o desafio do professor, por isto além da definição de cada competência, trouxemos algumas práticas para você, profissional da educação, utilizar com seus alunos e exercitar as Múltiplas Inteligências neles.

 

 

1 – INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA: É a capacidade de pensar numericamente, entender expressões algébricas, lidar com o raciocínio lógico e ser sensível quanto a padrões, ordens e sistematizações. Refletir sobre este tipo de inteligência é compreender que ela se relaciona com o mundo dos objetos e não auditivo-oral, é necessário que os professores observem as crianças quando for ensiná-las a matemática na Educação Infantil e identificar sua habilidade com relação a ela.

 

 

 

Crianças que gostam de brincar com números, fazer contas de cabeça e pensar em como os objetos podem ser vinculados uns aos outros de forma lógica, têm esta inteligência aflorada. Os educadores, para potencializá-la e introduzi-la àqueles que não possuem esta habilidade, podem promover atividades de comparação entre peças, quais delas têm a mesma forma e quais são maiores ou menores.

 

Explore com seus alunos noções de quantidade, tempo, causa e efeito, assim como, faça uso de representações gráficas, levante hipóteses e treine olhares estatísticos sobre algo. Trabalhe com objetos que estimulem o pensamento matemático e formulação de coisas semelhantes.

 

2 – INTELIGÊNCIA CINESTÉSICA-CORPORAL: Esta associada à destreza, agilidade, movimento e músculos trabalhando criativa e habilmente, mas também abrange a sensibilidade das coisas mais sutis e finas do corpo humano (ANTUNES, 2006).

 

Um ponto relevante sobre a esta inteligência, é ela ser considerada a única, até então, capaz de gerar qualidade de vida quando aprimorada. Por conta das atividades que podem potencializar esta competência, entendemos que ela causa benefícios à saúde do ser humano ao ser trabalhada.

 

 

Crianças que conseguem solucionar problemas físicos, se relacionam bem com o ambiente por meio do corpo e estão sempre em movimento nos tempos livres, têm esta inteligência bem visível.

 

Os professores, ao elaborarem atividades para promover esta habilidade, precisam dar uma liberdade condicionada aos seus alunos quando começarem com as práticas, pois eles não têm total ciência do que podem fazer, logo estão mais suscetíveis a se machucarem.

 

Por isso, recomendamos trabalhos com exercícios sistematizados ao ar livre, dê objetos para as crianças tocarem, leve-as para bosques ou campos dentro do perímetro escolar e disponha brinquedos ou atividades que os façam usar o corpo, insira movimentos repetitivos até o aluno fazê-lo por conta própria. Elabore (sempre) práticas físicas a todo instante.

 

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3 – INTELIGÊNCIA MUSICAL: É a sensibilidade de compor e apreciar sons, definir ritmos, timbres, produzir e identificar a sonorização. A criança que possui esta habilidade tem facilidade ao recordar de músicas e melodias, além de ser bastante receptiva quanto aos barulhos do ambiente em que está inserida.

 

Os professores precisam ficar atentos às interações de seus alunos com a composição sonora, observar se eles encontram-se motivados para tocar instrumentos musicais ou interessados em músicos, CDs e afins. Obviamente que o olhar dos educadores podem se estender ao analisar como as crianças se portam ao aprendizado com músicas e ao serem expostas a cantorias em sala.

 

 

Possíveis atividades para se desenvolver com seus alunos são aquelas que os façam interagir ao máximo com a sonoridade de objetos, fazer uso de apitos, identificar animais por meio do seu som, fazê-las criarem ruídos utilizando brinquedos e reconhecer os barulhos deste último, são algumas práticas que podem ser realizadas.

 

Lembre-se de sempre criar propostas para estimular o contato deles com o som.

 

4 – INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL: É a habilidade de compreender a natureza humana, mantendo-se sensível quanto às relações em grupo e atento aos aspectos emocionais dos outros (ANTUNES, 2006), além de entender as intenções, desejos, humores e temperamentos do próximo (MARTINS, 2011).

 

Esta competência – somada a inteligência intrapessoal e existencial – é vista como a(s) única(s) ligada(s) inteiramente a pessoa e como ela se relaciona e vê o outro. Ela(s) se refere(m) ao auto e heteroconhecimento.

 

Os professores precisam buscar atividades que prezem a empatia e reconhecimento com as outras crianças, promover práticas em pequenos grupos ou duplas e fazê-las enxergarem como o próximo está se sentindo. Jogos de mímica referente aos sentimentos podem ser bastante utilizados, assim como recortes de pessoas em revistas visando estimular o olhar do aluno diante da expressão ou gesto das imagens recolhidas pode ser outra opção.

 

5 – INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL E EXISTENCIAL: Habilidade de entender a si próprio e conhecer suas limitações, constituir uma interpretação apurada do seu eu, assim como estar fortemente ligado as grandes questões do mundo – o sentido da vida e morte, destino final do mundo físico e indagações sobre a natureza filosófica e metafísica (ANTUNES, 2006).

 

Os professores, mais para estimular do que identificar esta característica nas crianças, precisam estar dispostos a construir um plano de ensino para a Educação Emocional, na qual compreendam a diferença entre emoção e sentimento a fim de que consigam observar melhor as ações de seus alunos consigo próprios.

 

Pelo fato da Inteligência Existencial estar totalmente voltada para as questões espirituais da pessoa, ela se preocupa com o entendimento do universo e a razão da existência humana, por isso os educadores precisam estar atentos as suas práticas para abordarem essas duas competências e estimula-las.

 

Com relação às atividades que os docentes podem realizar com seus alunos, é necessário estruturar aulas para que a criança entenda quais são suas emoções, mas principalmente que o faça interagir, sugerir e pensar sobre elas sem ficar constrangido a respeito das opiniões dos colegas. Criar jogos que as façam refletir ideias próprias devido à bagagem que já possuem e discutirem a respeito delas, é uma opção para exercer ambas as inteligências.

 

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6 – INTELIGÊNCIA ECOLÓGICA: Aptidão para reconhecer a natureza de forma integral, tendo a sensibilidade e empatia ao ver e compreender a fauna e flora, juntamente com o interesse nos hábitos, semelhanças e diferenças, formas de classificação no ecossistema (ANTUNES, 2006). Pensar nesta inteligência é se referir àqueles alunos amantes ao ar livre, acampamentos, aventuras rurais e qualquer coisa que envolva a natureza e estar interagindo com ela.

 

Pelo fato das crianças geralmente terem grande interesse em animais e botânica, realizar atividades ao ar livre e desempenhar práticas que envolvam um aprendizado mais específico sobre a natureza potencializam esta inteligência.

 

As crianças têm uma inclinação grande para esta competência por gostarem de ficar em ambientes abertos, então aproveite o gancho e proponha dinâmicas em ambientes naturais.

 

 

As práticas para serem realizadas ao ar livre precisam envolver a criança com a natureza de forma palpável, por isto pedir para elas recolherem, tocarem e analisarem os recursos naturais encontrados no jardim da escola, num bosque (caso a instituição permita levá-las para fora do ambiente escolar) ou numa trilha ajudará a fomentar sua relação com o meio ecológico.

 

Faça seus alunos nomearem os animais que estão vendo e, sem destruir a natureza, reunir folhas, flores e gravetos para analisarem da sua forma, o importante no final de cada atividade é promover um debate entre as crianças para que possam contar suas experiências ao ar livre.

 

7 – INTELIGÊNCIA ESPACIAL: É a capacidade relacionar o seu próprio espaço com o ambiente ao redor, administrar pontos de referência, distâncias e se localizar geograficamente, além de identificar e correlacionar objetos (ANTUNES, 2006). A pessoa com esta competência consegue manipular tátil e visualmente lugares amplos e pequenos (MARTINS, 2011); pensar de forma tridimensional, sabendo os limites espaciais externa e internamente, é algo comum em pessoas com essa inteligência mais aflorada.

 

Os alunos com uma boa noção de espaço e que conseguem realizar tarefas mesmo sem ter algo delimitando, são capazes de pensar visualmente sem ter um objeto concreto como limite, esta inteligência se manifesta na facilidade das crianças de identificarem um brinquedo, por exemplo, olhando-o de diferentes ângulos; ou até ao observar uma fotografia e conseguir dar muitos detalhes referente a ela.

 

Jogo dos sete erros, descobrir qual dos desenhos têm a mesma forma e coisas do tipo, fazem aguçar a Inteligência Espacial. Trocar móveis e materiais da sala de aula e pedir para as crianças apontarem as mudanças é outra maneira de trabalhar esta competência. Além, é claro, de utilizar quebra-cabeças durante as práticas para fazê-los exercitarem o olhar espacial sobre o brinquedo.

 

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8 – INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA: É a facilidade de saber se expressar muito bem por meio da fala e escrita, fazendo o “uso da linguagem em suas diversas formas, apresentando facilidade em convencer, contar histórias, relatar fatos com precisão ou transmitir ideias” (MARTINS, 2011).

 

Está capacidade é inata do ser humano, mas algumas pessoas apresentam mais habilidade para com esta inteligência, sendo sensíveis na organização das palavras e construção de pensamentos assim como é eficaz quando os comunica.

 

Como afirma FERREIRA (2009) a respeito da Inteligência Linguística, ela “denota uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem”.

 

Os professores precisam ficar atentos aos alunos que manifestam grande interesse pela leitura e escrita, mas principalmente para aquelas crianças que conseguem relatar uma história vivida por ela, por outro alguém e até criada por sua mente com facilidade, pois nelas a Inteligência Linguística está aguçada. Em decorrência disso, pensar nesta competência é conhecer:

 

“nossa relação com a palavra escrita (por nós e por outros), com nossa relação com a palavra falada (por nós e pelos outros), e nossa relação com a palavra que não se manifesta materialmente (aquilo que lembramos, criamos, imaginamos, e sentimos)” (FERREIRA, 2009, p.04).

 

Para poder promover esta inteligência é necessário que o ambiente escolar seja rico em linguagem a fim de que se trabalhe a fala, escuta e escrita. Os educadores podem contar histórias e estimular seus alunos a fazerem o mesmo, realizar desenhos de palavras e apresentar objetos que tenham seu início com ela e fazer peças de teatro com fantoches, na qual as crianças interajam diretamente com eles, são atividades que podem exercidas pelos professores.

 

Existem diferentes métodos para se trabalhar as Múltiplas Inteligências e o corpo docente precisa planejar muito bem as atividades para comportar as oito/nove competências. Na Educação Infantil, as crianças estão mais suscetíveis ao aprendizado e conseguir desenvolver habilidades desde pequenos será importante para o desenvolvimento futuro. Por isso, professores, devem sempre promover atividades teóricas e práticas que conseguiam abordar estas habilidades.

 

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Escrito por: Bruna Lisboa, 13 de outubro de 2017.

Colaboração de: Profa. Ms. Renata Miranda de Araújo e Profa. Ms. Erika Regiani.

 

 

Referências

 

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Introdução. Rio de Janeiro: Vozes.  V.1, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligência Cinestésico-Corporal. Rio de Janeiro: Vozes.  V.2, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligência Ecológica. Rio de Janeiro: Vozes.  V.3, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligência Espacial. Rio de Janeiro: Vozes.  V.4, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligência Lógico-Matemática. Rio de Janeiro: Vozes.  V.5, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligência Sonora. Rio de Janeiro: Vozes.  V.6, 2006.

ANTUNES, Celso. Inteligências Múltiplas e seus jogos: Inteligências Pessoais e Inteligência Existencial. Rio de Janeiro: Vozes.  V.7, 2006.

FERREIRA, Elias da Mota. Inteligência Linguística. Disponível em: < https://goo.gl/cHB3hJ > Acesso em: 25/09/2017.

GARDNER, Howard. Estruturas da Mente – A teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre, Artmed, 1995.

MARTINS, Beatriz Prado. Inteligências Múltiplas – A teoria na prática da Educação Infantil. Disponível em: < https://goo.gl/imkzRa > Acesso em: 25/09/2017.



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