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21 novembro 2016

Quais são os impasses da Gestão Escolar

Você é GESTOR ou GERENTE da Escola?

 

Esta é uma pergunta que, talvez, você Diretor Escolar, jamais tenha feito para si mesmo, ou ainda, se você pretende se tornar Gestor, está aí a oportunidade de pensar nisso durante a sua preparação para Gestão Escolar!

 

Na prática, sabemos que a gestão de um espaço educativo é muito mais que cumprir formalidades e cuidar de aspectos burocráticos, pois o Gestor precisa ser líder ao mesmo tempo que deve ter responsabilidade pela aprendizagem e pelo funcionamento da escola, além de promover o relacionamento com toda a comunidade escolar.

 

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Profa. Erika Regiani
Pedagoga, Especialista em Gestão Escolar e Mestre em Educação

 

 

 

 Já parou para pensar como você faz isso?

 

Para analisarmos o significado da Gestão Escolar e o papel do Gestor da Escola, buscamos entender os pressupostos que perpassam o Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública, realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e que faz parte das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O Programa entende o Diretor como “primeiro um educador e a Gestão da Escola é um espaço privilegiado de aprendizagem democrática”.

 

 

Então, tendo como base o material disponível na Sala Ambiente/Projeto Vivencial deste programa, traremos os próximos apontamentos que irão direcionar a análise que te ajudará a responder a nossa pergunta inicial: Você é Gestor(a) ou Gerente da Escola?

 

VAMOS LÁ!

 

A palavra Gestão provém do verbo latino gero, gessi, gestum, gerere e significa:

 

“[. . .] levar sobre si, carregar, chamar a si, executar, exercer, gerar. Trata-se de algo que implica o sujeito. Isto pode ser visto em um dos substantivos derivado desse verbo. Trata-se de gestatio, ou seja, gestação, isto é, o ato pelo qual se traz em si e dentro de si algo novo, diferente: um novo ente” (CURY, 2001).

 

 

A origem da palavra Gestão traz duas implicações importantes para nossa discussão sobre o trabalho do Gestor da Escola:

 

 

  1. gestão, em qualquer dimensão, implica sempre a presença do outro;

 

  1. Se a gestãopode significar conservação e manutenção de estruturas autoritárias, como é comum nas relações de subordinação em empresas, traz também em si possibilidades de mudança, de rupturas com o instituído.

 

Percebe-se que o contexto relacional do trabalho do Gestor aponta para uma das principais dificuldades enfrentadas em seu cotidiano, porque a relação com os “outros” pode ser rodeada de conflitos, dificuldades com/e consensos, comprometimento e engajamento do grupo de modo contraditório, entre outros. Entendam que o principal fator motivador deste trabalho é justamente poder atuar com os “outros”.

 

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Como se tornar um Gestor ainda melhor!

O curso de especialização docente em Gestão Escolar conecta os aspectos propriamente educativos da gestão de uma instituição de ensino com as competências gerenciais proporcionadas pela administração. Em um mercado cada vez mais carente de gestores, os locais de ensino buscam por profissionais qualificados para uma área que precisa do conhecimento pessoal e técnico, além de ser um cargo de confiança no cuidado de pessoas.

O curso de especialização docente em Gestão Escolar conecta os aspectos propriamente educativos da gestão de uma instituição de ensino com as competências gerenciais proporcionadas pela administração. Em um mercado cada vez mais carente de gestores, os locais de ensino buscam por profissionais qualificados para uma área que precisa do conhecimento pessoal e técnico, além de ser um cargo de confiança no cuidado de pessoas.

 

Você já se viu movido(a) por essas contradições?

 

É de conhecimento geral que os diretores, com frequência, expressam atitudes dualistas com relação ao coletivo da escola, atitudes estas que podem variar entre dois extremos:

 

→  Atitudes de condescendência, de paternalismo (o que dá origem a uma participação consentida, tutelada do coletivo escolar);

 

→  Atitudes autoritárias, reproduzindo as relações entre chefes e subordinados.

 

Em ambos os modelos, com todas as variantes que possam apresentar, o fato básico é a negação do “outro” como um igual. O Programa Nacional Escola de Gestores, indica que numa relação entre iguais o outro não é apenas um objeto para o sujeito, não se trata apenas de fazer para o próximo aquilo que gostaria que fosse feito a mim. Mais do que isso, é importante que a presença do outro conduza a minha atitude para com ele.

 

O trabalho cotidiano dos diretores:

 

  Administram tensões que podem tanto ser decorrentes de exigências burocrático administrativas por meio de pedidos dos superiores, como das próprias necessidades ocorridas do processo educativo desenvolvido no interior da escola;

 

  Exercitam a negociação procurando conciliar interesses, expectativas e criar uma unidade na diversidade em função de um projeto coletivo de escola. Para isso, necessitam compreender que, numa época onde o individualismo é visado, as pessoas tendem a sobrepor seus interesses pessoais em acima dos coletivos;

 

  Relacionam-se com os pedidos colegiados das escolas, ou seja, referem-se as solicitações de orgãos com grupos igualitários, em que estas já estão organizadas. Para imprimir um caráter democrático ao seu trabalho, devem, então, tomá-las não como “instâncias auxiliares”, mas sem esquecer de que elas são necessárias à prática democrática da co-gestão;

 

  Engajam-se nos processos da escola, sejam eles de caráter pedagógico ou administrativo; envolvem-se em práticas criativas ou reiterativas;

 

  Interagem com os diferentes grupos sociais que participam da escola, coordenando a criação de condições objetivas que facilitem a participação dos mesmos. Cada grupo tem sua própria particularidade, o que significa muitas vezes a criação de modos singulares de interação.

 

Dessa forma, entende-se que gerir uma escola a fim de garantir uma educação de qualidade e fazer com que a Gestão seja (de fato) democrática é o papel fundamental do Gestor Escolar.

 

Escola de Gestores, indica que dentro dos parâmetros apontados pela Gestão Democrática na/da escola, nega a imagem do dirigente tecnocrático que apenas assume o lugar de comando de seus subordinados. Ao contrário disso, tem-se a figura do dirigente encontrando no trabalho junto o coletivo da escola os meios mais eficazes para a sua intervenção.

 

1- Ao se afirmar a necessidade da Gestão colegiada na escola, isto é, o partilhamento de poder, não se está negando a existência de especificidades hierárquicas no seu interior, a Gestão Democrática da Escola não as anula, mas convive com elas.

 

2- Quando falamos em coletivo da escola não tomamos como suposição a existência de um “todo homogêneo”, harmônico e consensual, mas sim o oposto, em  que o cotidiano da escola é feito de homens e mulheres, de crianças e de jovens, cada qual com diferentes percursos de vida, com diferentes expectativas em relação à escola quanto ao seu futuro. Ainda manifestam diferentes níveis de compromisso com relação ao trabalho, expressam insatisfações que tomam a forma de conflitos, têm vivências culturais diversas.

 

Todos esses aspectos se laçam e entrelaçam em graus diferenciados de complexidade, constituindo o  coletivo escolar. Pensar e trabalhar com e no coletivo da escola significa, necessariamente, considerar a diversidade e as diferenças entre os sujeitos e em suas implicações e posicionamentos com o trabalho coletivo.

 

 

No final de 1980, na América Latina, se passa de uma concepção de administração para Gestão.

 

 

O conceito de gestão é considerado mais abrangente e sistêmico do que o conceito de administração, mostrando-se mais adequado para referir-se ao gerenciamento de sistemas descentralizados: “o princípio que orientou esse processo foi que a gestão se tornaria mais flexível se a unidade de gestão [estivesse] constituída por unidades menores do que o sistema mais amplo” (CASASSUS, 2001, p.61).

 

 

Assim, desde a década de 1990, em vários países do mundo, pretenderam “modernizar” os sistemas educacionais: o objetivo visado era torná-los mais flexíveis, por assim dizer, e mais eficazes. Para Fonseca (2004) isso implicaria adotar também uma outra visão de Gestão Escolar.

 

Nesta perspectiva, um novo modelo de Gestão passou a ser recomendado, em  especial pelos organismos internacionais, sustentando a ideia de que melhores indicadores de qualidade poderiam ser obtidos se a Gestão das Escolas fosse mais eficiente. Para isso, seria necessário, dentre outros aspectos, combinar avaliação externa e responsabilização pelos resultados, tanto pedagógicos como administrativos e financeiros.

 

Desde então, o discurso da Gestão por resultados passou a ser “moeda corrente” no campo da Gestão Educacional e a transposição de modelos de administração construídos nas empresas para a escola não é novidade.

 

Fazendo uma análise baseada em Dourado (2003), sabemos que no campo educacional é comum encontrarmos distintas teorias na qual consideram a escola e a empresa como diferentes ou semelhantes, tendo em vista que a administração, com seus métodos e técnicas, pode ser aplicada a qualquer campo, quer seja essa escola ou empresas, pois os processos administrativos em ambas têm a mesma natureza, enquanto os problemas encontrados nas escolas são decorrentes, sobretudo, de sua má administração.

 

Diante dessa última ideia que relaciona problemas da escola com sua má administração, a qual ganha fôlego nas últimas décadas, trazemos para nossa reflexão a seguinte questão:

 

GERENCIALISMO

 

Esse movimento no interior da educação vem sendo designado por alguns estudiosos como Gerencialismo, que tem como meta da Gestão Educacional aumentar a eficiência e eficácia das escolas, fatores estes podendo se expressar em indicadores de desempenho ou em resultados, partindo de mudanças na cultura da escola.

 

O diretor da escola é tratado como um “gerente”, cuja liderança repousa a maior ou menor capacidade de agregar valores, criar sinergias no grupo de trabalho, harmonizar, estabelecer parcerias com a comunidade do entorno escolar, com vistas à obtenção de metas previamente definidas.

 

Ainda que se fale de participação ou de Gestão Participativa, o objetivo é a adesão do coletivo da escola aos planos e objetivos traçados ou apresentados nos planos de desenvolvimento estratégico, onde gerenciar, nesse caso, é potencializar recursos, é fazer da crise oportunidade e comprometer os diretores de escola com outros valores que não aqueles originados da perspectiva democrática. Nesse caso, podemos falar de uma participação ou colaboração que não implica a presença de partilhamento de poder por meio dos espaços constituídos e legitimados por todos, como conselhos escolares e grêmios estudantis.

 

Na perspectiva gerencial, as práticas de Gestão tendem a se conformar cada vez mais a uma perspectiva técnica de atuação, subestimando-se a dimensão política implicada no trabalho de Gestão Escolar. Promove-se, nessa ótica, uma dissociação entre as finalidades e os objetivos da educação e os meios usados para alcançá-los. Acredita-se que a utilização de ferramentas eficazes de Gestão é condição necessária e suficiente para que se alcance a qualidade na educação. Supõe-se, nesse caso, que as técnicas são neutras e seu potencial está relacionado ao modo como são usadas.

Tenha uma visão geral para gerir os estabelecimentos escolares.

Mas, afinal… Qual é a natureza da Gestão Escolar e do trabalho do diretor?

 

De acordo com Paro (2002), a especificidade da Gestão Escolar deriva de um duplo processo:

 

  1. a)Dos objetivosque se pretende alcançar com a escola;
  2. b)Da naturezado processo que envolve essa busca.

 

Ambos são indissociáveis e assim, se a escola projeta e pretende a construção de sujeitos críticos, os métodos que utiliza para concretizar esse objetivo devem estar estreitamente vinculados a eles. Compreende-se, então, que:

 

A transposição dos métodos de gerenciamento das empresas é contrária à implementação da democracia na escola.

 

→  Não é possível fazer um discurso laudatório de a gestão democrática na escola adotar procedimentos, instrumentos ou ferramentas técnicas da gestão empresarial;

→  Não é possível separar as dimensões política e técnico administrativa do trabalho do gestor escolar.

 

GESTÃO DEMOCRÁTICA

 

Se considerarmos que a Educação Escolar é uma prática social de caráter político, considerando ser essa a tarefa que lhe dá origem – constituindo-se, também, em sua principal atividade – é possível afirmarmos que a dimensão política tem precedência sobre a dimensão técnica, quer no trabalho escolar, quer no trabalho do gestor escolar.

 

É por isso que, quando elaboramos o Projeto Político Pedagógico da escola, iniciamos com a discussão e definição das finalidades da educação e da escola, ponto de partida para que se decidam e se elaborem os meios pelos quais serão alcançados os objetivos recomendados pelo coletivo escolar.

A atividade de gestão é considerada, nessa perspectiva, como uma atividade de mediação.

 

Sendo assim, não se esgota em si mesma e não é um fim em si. Pelo contrário, é essencial ao seu caráter mediador a possibilidade de múltiplas articulações com objetivos que rompam com práticas burocratizadas e conservadoras em termos de educação.

 

Desse caráter mediador da Gestão Escolar, Paro (2002) destaca duas consequências:

 

1) Possibilita identificar como não administrativas todas as atividades que perdem de vista a finalidade a que se destinam, tornando-se um fim em si mesmas (é isso que dá origem às práticas burocratizadas, à “papelada”, às práticas consideradas como inúteis na escola);

 

2) Não sendo um fim em si mesma, a gestão da escola pode articular-se com uma diversidade de objetivos, incluindo aqueles que rompem com as práticas dominadoras e antidemocráticas vigentes.

 

 

É no caráter educativo da Gestão Escolar Democrática que encontramos as possibilidades de mudança. Ao se constituir como um espaço coletivo de partilhamento de poder, torna-se um espaço pedagógico rico em possibilidades de aprendizagem para o exercício da cidadania.

 

 

A realização do caráter pedagógico da Gestão Escolar supõe ainda, como condição para sua efetivação, não apenas a partilha de poder com o coletivo da escola, mas também a corresponsabilizarão pela Gestão da escola.

 

Embora indissociáveis, a primeira é condição para que a segunda possa emergir, ou seja, a participação efetiva, plena, coletiva e democrática é condição para que a corresponsabilizarão possa ocorrer não como imposição, mas como engajamento e cooperação solidária.

Como podemos definir o trabalho do Gestor Escolar na perspectiva democrática?

 

Cabe aos diretores procurar mecanismos que possibilitem a superação dos obstáculos, muitos deles decorrentes da própria estrutura e organização dos sistemas de ensino e das unidades escolares. É preciso ainda articular e garantir a participação e não apenas a integração da comunidade escolar em instâncias colegiadas de decisão.

 

O diretor, na perspectiva democrática, não é o líder que conduz seus liderados numa relação sempre de concessão e de subordinação; mas, ao contrário, promove suas ações e exercita sua função na direção da construção de instâncias democráticas de deliberação (como conselhos escolares, grêmios estudantis e outras), garantindo assim que o exercício do partilhamento do poder não dependa da “sua pessoa”, mas da organização e mobilização da comunidade escolar.

 

Assumindo esse papel de articulador da democracia da/na escola, o Gestor Escolar contribui para a construção e efetivação de uma escola de fato democrática.

 

E agora? Você sabe identificar, no seu fazer diário, as diferenças existentes entre Gerenciar e Gerir Democraticamente?

 

Vejamos a seguir, as 6 Diferenças entre o Gerencialismo e a Gestão Democrática da Educação, disponíveis no material da Sala Ambiente/Projeto Vivencial do Programa Nacional Escola de Gestores:

 

Gerencialismo

 

1- Ênfase na dimensão técnica da gestão: supõe que a eficiência da mesma sustenta-se no bom uso de recursos técnicos, tais como controles estatísticos, padronizações, ranqueamento, etc;

2- Gestão centrada na pessoa do diretor; ênfase em sua liderança para mobilizar sinergias da comunidade escolar ;

3- Gestão participativa significa a comunidade escolar colaborar com a escola, não necessariamente deliberando sobre seus rumos; a participação fica associada à resolução de problemas, ocorrendo de modo pontual e assistemático;

4- Pressupõe autonomia e responsabilização individualizada, com consequências para professores e diretores, pelos resultados do desempenho dos alunos e da escola;

5- Procura atingir metas de eficiência e eficácia previamente definidas em planos estratégicos, acordos, etc;

6- Considera a competitividade entre as escolas como o principal fator para alavancar a qualidade das mesmas; estimula o ranqueamento das escolas, prêmios por desempenhos, etc.

 

Gestão Democrática

 

1- Ênfase na dimensão político-pedagógica da gestão: baseia-se na indissociabilidade dos meios/finalidades; nesse sentido, pressupõe que as técnicas subordinam-se às dimensões político-pedagógicas da gestão;

2- Gestão centrada nos colegiados da escola: conselho de pais, grêmios estudantis e outras formas de organização ;

3- Gestão participativa significa, aqui, a comunidade escolar participar efetivamente da escola, discutindo e decidindo coletivamente seus rumos; a participação ocorre de forma sistemática, por meios dos órgãos colegiados ou por via direta;

4- Pressupõe autonomia e corresponsabilização pelos resultados da aprendizagem dos alunos e da unidade escolar;

5- Procura atingir a qualidade socialmente referenciada da educação; suas metas e seus objetivos devem expressar não apenas resultados quantitativos, mas, sobretudo, qualitativos;

6- Considera que a qualidade da educação se conquista com medidas efetivas em prol da autonomia, gestão democrática, financiamento público e formação de professores.

 

Nesse texto chamamos a sua atenção para duas perspectivas de Gestão Escolar que, muitas vezes, parecem bastante semelhantes pelos termos que usam, apelos que fazem e ideias que defendem. No entanto, um olhar mais atento para os pressupostos do gerencialismo nos informam diferenças substanciais com relação à orientação democrática na gestão das escolas e dos sistemas educacionais.

 

DE VOLTA ÀS ANÁLISES:

 

→ Conseguiu identificar, no seu fazer diário, práticas Gerenciais ou de Gestão Democrática?

→ Qual está sendo o seu formato de Gestão?

→ Quais as dificuldades que você enfrenta à frente da Escola?

 

Texto do artigo adaptado de: Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública.
Disponível em: <Sala_projeto_vivencial/unidade2> e <Sala_projeto_vivencial/unidade3>

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