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10 janeiro 2017

Piaget na Educação: a construção do aprendizado

Piaget contribuiu muito para as práticas educativas com suas pesquisas sobre o desenvolvimento humano, como os estágios do conhecimento e a construção da moralidade. A partir deles entendemos a lógica existentes nos erros, assim como compreendemos que o aprendizado surge por meio da ação, a forma do ser humano conhecer o mundo é um dos assuntos apresentados por Jean Piaget em seus estudos com crianças.

Profa. Ms. Michelle Mayara Praxedes Silva
contato@enfaseeducacional.com.br

 

 

O cientista suíço  realizou muitas pesquisas que o fizeram tornar-se um teórico muito utilizado na área da educação. Em suas pesquisas demonstrava interesse na construção do conhecimento, buscando compreender como uma pessoa passava de um grau de conhecimento menor para um grau, chegando à conclusão de que o aprendizado é construído, disso temos o nome construtivismo para a sua abordagem teórica.

 

É importante enfatizar que Piaget não criou um método de ensino, mas sim uma teoria sobre a construção do conhecimento. Becker aponta que:

 

“Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino, nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re)interpretar todas essas coisas, jogando-nos para dentro do movimento da História da Humanidade e do Universo” (p.89).

 

 

A  pesquisa de Piaget tem grande relevância na área da educação escolar, já que o trabalho com o conhecimento é pilar da escola. Desta maneira, nos cabe apresentar e discutir alguns conceitos desta abordagem teórica que contribuirão para o nosso trabalho pedagógico.

 

O primeiro ponto para iniciar a discussão é a compreensão de que nesta abordagem o sujeito não nasce predeterminado como sugere algumas teorias, o suíço nos mostra que o ser humano nasce com uma bagagem hereditária que, juntamente com a sua interação no meio social, se desenvolverá.

 

Tendo em vista que o construtivismo trata-se de uma teoria do conhecimento, Jean Piaget apresenta o conceito e um esquema como sendo as ferramentas do pensamento, a partir disso a construção do conhecimento acontecerá por meio de três processos: ASSIMILAÇÃO, ACOMODAÇÃO E EQUILÍBRIO.

 

  • ASSIMILAÇÃO: interpretar o mundo por meio dos esquemas já existentes;

  • ACOMODAÇÃO: quando há modificação nos esquemas já formados;

  • EQUILIBRAÇÃO: estabilidade da organização mental.

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Tendo estes três conceitos como base, compreende-se que o construir o conhecimento é buscar um estado de equilíbrio formando e organizando esquemas cada vez mais elaborados.

 

Mas afinal, que implicações isto trará ao nosso trabalho pedagógico?

 

Baseado nestes três processos, Piaget mostra que o desenvolvimento da inteligência acontece em sequências – também conhecido como estágios, em que para cada estágio há uma forma de construir o conhecimento. O trabalho do professor estará em compreender os estágios que seus alunos estão e criar propostas para contemplar a construção deste conhecimento.

Os estágios organizados por Piaget:

 

Estágio Sensório motor – Piaget (0 a 24 meses)

 

Neste estágio predomina uma inteligência prática, na qual a criança busca conhecer o mundo que o cerca por meio de suas características físicas. Algumas características predominantes neste estágio são:

 

  • Uso de reflexos inatos (sucção, visão, audição, fonação, preensão);
  • Reflexo de moro: jogar a cabeça para trás e abrir as pernas e braços quando está desequilibrado ou assustado (até os 3 meses);
  • Reações circulares primárias: repete o ato até que seja aprendido e torne-se natural (agarrar, direção do som, produzir e imitar sons, sentar e inclinar o corpo para pegar objetos). Isso acontece com crianças de 1 a 4 meses;
  • Reações circulares secundárias: crianças de 4 a 8 meses agindo sobre os objetos, desta forma o aprendizado progride quando ela conhece o próprio corpo. Os professores neste estágio precisam oferecer objetos que ela possa manipular;
  • Coordenação de esquemas secundário: relação entre meios e fins (apoiar na parede para pegar algo, ou tentar se mover);
  • Reações circulares terciárias: (12 a 18 meses) embora não falem, se expressam através de movimentos, sons e ritmos;
  • Combinações mentais: invenção de novos meios através da representação mental.

 

Estágio Pré operatório – Piaget (2 a 7 anos)

 

Nesta fase temos o início da construção dos esquemas simbólicos, dentre eles a linguagem passa a desenvolver-se. A criança começa a ter uma visão do mundo egocêntrica e centrada no seu ponto de vista. Temos o predomínio de algumas características como:


• A utilização da inteligência e do pensamento (assimilação, acomodação e equilibração);

• Aparecimento da linguagem;

• Socialização;

• Jogo simbólico (faz de conta);

• Atribui significado aos desenhos;

• Linguagem egocêntrica (monólogos);

• Pensamento intuitivo para resolver problemas (a partir dos 4 anos);

• Animismo (dar características humanas aos seres inanimados);

• Realismo (fantasiar a realidade);

• Desenvolvimento moral: heterônomo.

Estágio Operatório concreto – Piaget (7 a 11 anos)

 

É o estágio em que há o nascimento das operações (lógico – matemática). A criança consegue compreender a partir do concreto algumas abstrações como os números e as próprias relações sociais.

 

Estágio Operatório formal – Piaget (11 até o fim)

 

Neste estágio o conhecimento já acontece a partir das hipóteses, tendo o operatório concreto e operatório formal como fases em que a criança passa a estabelecer relações e percebe pontos de vista diferente do seu, com isso ela inicia a realização de operações mentais.

 

As operações matemáticas começam a desenvolver-se, sendo possível haver a compreensão de noções como tempo, espaço, velocidade, peso, etc.
A partir dos 12 anos, seu raciocínio se dá por meio das hipóteses, possibilitando a construção de valores morais como a autonomia. O sujeito também tem seu conhecimento ampliado demonstrando mais interesse em assuntos diversos.
Com o conhecimento dos estágios de desenvolvimento da inteligência, a escola tem por função promover experiências que desafiem os alunos a fim de provocar desequilíbrios e reequilíbrios e com isso possibilitarem a construção do conhecimento.

 

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Educação Moral

 

Outro conceito de grande relevância abordado por Piaget é a respeito da moral. Quando falamos em moral fazemos referência ao modo como eu devo ou não ser ou agir perante o outro. Da mesma maneira que o autor discute sobre o conhecimento ser construído por estágios, a moral também evolui, sendo seus três estágios: anomia, heteronomia e autonomia.

 

estágio de anomia refere-se ao período do nascimento, em que a criança encontra-se fora do universo das regras e leis sociais.

 

Já o estado de heteronomia refere-se ao desenvolvimento da moral, na qual é iniciado pelo respeito e obediência que a criança tem pelos pais de forma unilateral. A autoridade sempre estará na outra pessoa, não há reflexão do porquê agir de determinada maneira, o outro será sempre o parâmetro para as minhas ações. Este outro pode ser o chefe, o professor, um juiz… Enfim, alguém que tenha papel de autoridade.

 

estágio da autonomia tem por base o respeito mútuo, a responsabilidade e as relações baseadas na reciprocidade, ou seja, colocar-se no ponto de vista do outro.

 

Trazendo estes estágios para o campo da educação infantil, Vinha (1999) afirma que:

 

“Para a criança, a construção da inteligência se dá a partir da interação com o meio. O mesmo vale para a moralidade. A construção dos valores, o desenvolvimento moral, se dá a partir da interação da criança com pessoas e situações. Não existe moral sem o outro. A moral, necessariamente, envolve o outro, porque se refere a regras, a normas, como as pessoas devem agir perante o outro. A construção dos valores se dá a partir das experiências com o outro”  (p.18).

 

Desta maneira, podemos afirmar que o professor é entendido como um modelo para a criança, que irá aprender na interação com este e seus pares como ser/agir. Ela aprenderá mais a partir dos atos daqueles com quem interage do que do que lhe é transmitido de forma oral.

 

É importante que a sala de aula seja pautada num ambiente democrático, proporcionando a tomada de decisões dos alunos. Os trabalhos em grupos também propiciam discussões e percepção do ponto de vista do outro.

 

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As relações estabelecidas em sala de aula, permitirão que a educação moral seja em prol da heteronomia do sujeito quanto para sua autonomia. É preciso estabelecer relações que sejam fundamentadas num ambiente de cooperação e pautadas na reciprocidade, levando as crianças a refletirem sobre o motivo de suas ações.

 

 

Referências
BECKER, Fernando. O que é construtivismo. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf. Acesso em 10 de Nov de 2016.

VINHA, Telma Pileggi. O educador e a moralidade infantil numa perspectiva construtivista. Revista do Cogeime nº 14 , Julho, 1999.

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