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4 dezembro 2017

O que o professor precisa saber sobre o berçário

Quando surgiu o berçário na Educação Infantil?

 

Antes de começar a falar das práticas para o berçário, é necessário compreender onde ele surgiu e como era conhecido até chegar nos conceitos/funções atuais.

 

É importante entender a forma como a educação, por assim dizer, era dada às crianças de 0 a 5 anos, para então entrarmos nas questões e atividades essenciais para o desenvolvimento e aprendizagem dos bebês.

 

Na Europa medieval surgiu um dispositivo para o abandono de crianças sem que se pudesse identificar a pessoa que as colocaram lá, o termo Roda dos Expostos definiu o que seria um aparelho de:

 

“formato cilíndrico, dividido em duas partes, uma côncava e outra convexa que girava sobre si própria. A parte côncava ficava virada para a rua onde era depositada a criança, que num movimento de rotação a criança já estava do outro lado” (REGIANI, 2003, p.12).

 

Essas rodas eram usadas para recolher bebês abandonados pelos pais nas Santas Casas de Misericórdia no Brasil, a fim de protegê-los do infanticídio devido à pobreza das grandes e pequenas cidades, além de evitar transtornos aos “homens casados” que “recebiam em seu lar, clandestinamente […] um ‘enjeitado’, na soleira de sua porta, um filho de consequência de amores proibidos” (SPALDING, 1969 apud REGIANI, 2003).

 

Nas Rodas dos Expostos muitos bebês não sobreviviam por serem colocadas nas côncavas nuas, não tinham alimento suficiente pelas amas de leite serem poucas à demanda de crianças abandonadas. As sobreviventes eram encaminhadas para as casas dessas amas de leite – geralmente “mulheres solteiras, casadas ou escravas” (REGIANI, 2003, p.23) – que se dispunham a cuidar dos bebês até os três anos de idade enquanto recebiam salários pelos serviços prestados.

 

O mecanismo da Roda dos Expostos se extinguiu na década de 1950.

 

A Educação Infantil só começou a ser considerada como política pública a partir século XX, antes disso ela passou por várias nomenclaturas e fases e, em meio a elas, surgiu o conceito de creche, cunhado na França em 1844 e instaurado no Brasil posteriormente, onde o caráter assistencial prevalecia como conceito predominante.

 

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Como Vitta (2004) aponta:

 

“Instituições de guarda para crianças, cujas famílias não podiam possibilitar um mínimo de qualidade nos cuidados diários, […] tomando, com o correr do tempo, variados formatos, adotando diferentes nomes e objetivos, mas sempre vinculadas a um caráter assistencial.”

 

As instituições de guarda citadas pela autora são as conhecidas creches que atendiam às crianças de pais que trabalhavam fora, o importante a se saber deste assunto é o caráter médico que esses ambientes tinham, na qual visavam o cuidado com a saúde das crianças que tomavam conta.

 

No século XX, quando a política pública começou a intervir na educação de crianças pequenas e novos procedimentos e visões passaram a ser aceitas e implantadas, as creches são regulamentadas e a Educação Infantil torna-se um atendimento à criança garantido por lei (AMORIN, YAZLLE e ROSSETTI-FERREIRA, 2000 apud VITTA, 2004).

 

A história da Educação Infantil no país está inserida na história da assistência para a criança (SILVA; FRANCISCHINI, 2012).

 

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Em meados da década de 1990, as creches e pré-escolas adquirem de forma mais sistemática o processo educacional e começam a deixar o caráter assistencial, ainda muito presente nas instituições de guarda.

 

Não se pode esquecer que a marca higienista se reflete nas concepções dessas organizações, desta maneira o educar e cuidar se esbarram e há um conflito sobre qual dos dois conceitos deveriam seguir sem jamais pensam neles de forma integrada, algo que (na prática) percebemos que dificulta, ainda hoje, a relação de confiança dos pais e a segurança dos próprios profissionais quanto a forma de lidar com as crianças.

 

O que a LDB 9394/96 fala sobre a Educação Infantil?

 

 

Promulgada em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) passou por muitas atualizações visando o melhor atendimento às crianças e compreendendo-as como sujeito atuante. Desta maneira, como mostra Oliveira; Miguel (2012):

 

As instituições de educação infantil passam a ter a responsabilidade de oferecer às crianças condições para aprendizagens que podem ser na forma de brincadeiras ou aquelas propiciadas por situações pedagógicas, sejam elas intencionais ou orientadas por adultos.”

 

Com as mudanças, a Educação Infantil teve de começar a se preocupar em formular atividades que priorizem o desenvolvimento da criança, por meio dos signos e significados que elas conhecem: o brincar.

 

As creches e pré-escolas passam, então, a se preocupar com o desenvolvimento integral de seu aluno, pois os aspectos que precisavam ser visados eram todos a base desta norma com relação ao progresso motor, cognitivo e afetivo dentro da escola.

 

O artigo 29 da LDB (BRASIL, 2005) ressalta:

 

“A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade”.

 

Partindo dessa premissa, escolhemos destacar, neste artigo, O BERÇÁRIO, que deixa de ser um espaço que zela apenas dos cuidados físicos, da segurança e da alimentação do bebê.

 

No vídeo abaixo, a Prof. Ms. Michelle Praxedes explica como o berçário é fundamental no processo de desenvolvimento da criança ao longo da sua trajetória na Educação Infantil, e mostra a importância do professor neste meio enquanto o aluno estiver aos seus cuidados.

 

 

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Vida no berçário

 

Agora que já comentamos sobre o surgimento do berçário na Educação Infantil e sobre o que a lei exige, entraremos nos conceitos práticos para o professor se aplicar com os bebês.

Reunimos tópicos importantes para auxiliar os profissionais que trabalham ou pretendem trabalhar no berçário.

 

As informações elencadas foram pesquisadas e pensadas para otimizar o tempo dos docentes e apresentá-los conceitos práticos com fundamentos teóricos para o desenvolvimento integral da criança, algo requerido pela LDB e que muitos têm dúvida pela falta de materiais a respeito de práticas no berçário.

 

Rotina

 

A criança precisa ter uma rotina!

 

Esta afirmação é fundamental tanto para professores da Educação Infantil de modo geral, quanto para os profissionais que atuam especificamente no berçário, pois na rotina que serão dispostas as ações pedagógicas que auxiliam no desenvolvimento da criança. O educador planeja os horários e onde cada atividade será executada tanto por ele quanto pelos bebês (no caso).

 

Vale destacar que essa rotina precisa atender às necessidades dos bebês e não facilitar o trabalho dos adultos.

 

Para que a organização do tempo da criança dentro da instituição seja feita de forma que consiga atender às suas necessidades, é preciso que o professor compreenda quais são elas. O bebê tem uma visão do mundo e o adulto outra, por isso o docente terá que entender as formas de comunicação do infante para tomar as medidas necessárias quanto a isso.

 

Assista os dois vídeos abaixo para compreender melhor o assunto.

 

 

 

A adaptação da criança aos centros de educação precisa e faz parte da rotina estipulada pela equipe pedagógica, pois o bebê estará num ambiente novo, com adultos e crianças novos, distante dos pais que (até então) eram as pessoas que, exclusivamente, lhes oferecem conforto e segurança.

 

Para ela ficar tranquila, ter algo concreto para se apegar, mesmo sendo uma criança pequena, é essencial para que aprenda a rotina e veja quem estará cuidando de si. Desde o momento em que está no ambiente com outros bebês até quando é higienizada, o percurso precisa ser pensado pelos professores para fazer seu plano de aula.

 

A rotina estrutura o ambiente!

 

Como a LDB exige das escolas de Educação Infantil atividades que promovam o desenvolvimento integral das crianças, no berçário é necessário que os professores encarregados criem uma rotina na qual consigam encaixar práticas  pelas quais os bebês possam vivenciar situações que tenham um fundamento pedagógico por trás.

 

A rotina tem que respeitar a diversidade de cada bebê.

 

A criança está num processo de desenvolvimento e aprendizagem, por isso os educadores irão promover e executar estímulos que as incentivem a explorar o ambiente, a se levantar, a compreender texturas, a entender os limites corporais e assim por diante.

 

Para não esquecer: Tudo aquilo que tiver que ser feito no berçário para crianças de 0 a 2/3 anos será pensado pelos professores e encaixados em horários.

 

CUIDADO: A rotina não pode ser rígida!

 

A rotina está relacionada com a organização do tempo do bebê na instituição escolar, porém ela não poderá ser rigorosa, pois irá diminuir ou dificultar as ações pedagógicas com as crianças pelo limite de tempo.

 

Cada bebê tem um jeito de se portar, apesar das características comuns desta fase, e o professor do berçário precisa estar atento a elas para respeitar e continuar com os estímulos em cada criança dentro de uma rotina.

 

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De acordo com Bilória; Metzner (2013):

 

“O primeiro passo para estabelecer a rotina é ver a criança como um sujeito histórico e social, capaz de desenvolver suas curiosidades, afetos, sentimentos, amizades e sua identidade cultural”.

 

Quando um profissional do berçário entende os aspectos citados pelas autoras acima, ele deixa de pensar que o bebê está na instituição somente para ser cuidado, o professor começa a olhá-lo como um sujeito capaz, desde já, de se desenvolver ao ser exposto a estímulos, ao estar inserido dentro de uma rotina, quando está próximo de outros bebês e assim por diante.

 

Nesta rotina estipulada pelo corpo docente e equipe pedagógica, é necessário criar na organização dos horários “situações educativas e coletivas para que cada criança possa ter seus hábitos e preferências respeitadas” (BILÓRIA; METZNER, 2013). No berçário isso será aplicado nos momentos em que os bebês que já conseguem ficar sentados sozinhos, aqueles que engatinham e até os que já se mantém de pé brincam juntos.

 

Eles, por serem sujeitos histórico-culturais, mostram um para o outro o que conseguem fazer e aquilo que gostam, ensinam aos mais novos, que os observam, as coisas que aprenderam. Mas tudo isto precisa estar encaixado dentro de uma rotina NÃO RÍGIDA, em lugares diferentes, se possível, para que essas crianças possam explorar e experimentar sensações novas.

 

A rotina precisa proporcionar o desenvolvimento.

 

Por isso, no vídeo abaixo, a Prof. Ms Michelle, mostra a importância da rotina tanto para o aluno quanto para o professor, visando sua aprendizagem independente de qual nível da Educação Infantil ele esteja.

 

 

 

O binômio cuidar e educar

 

Como já comentamos neste texto, ao longo da história da educação para crianças de 0 a 2-3 anos, as creches tinham um caráter assistencialista e totalmente voltado para a saúde da criança, algo que ao longo do tempo foi sendo modificado e a função dos centros educacionais passaram a agregar a educação propriamente dita.

 

No vídeo abaixo, a Prof. Ms. Renata Miranda aponta conceitos importantes a respeito do cuidar e educar na Educação Infantil, ela mostra como esses dois conceitos precisam ser pensados juntos, pois um depende e está intrinsecamente ligado ao outro.

 

 

Não se pode entender o cuidar e educar como duas perspectivas distantes da organização do berçário, pois se ensina através do cuidado.

 

Oliveira; Miguel (2012) apresentam uma informação importante a ser compreendida pelos professores que atuam no berçário, onde o cuidado tem uma função educativa:

 

“Com o propósito de obter o desenvolvimento integral da criança como indivíduo na sociedade onde vive, vale ressaltar o cuidado relacional, onde a criança estará se socializando com o ambiente que a cerca; cuidado individual, onde a criança deverá aprender sua particularidade em relação aos outros”.

 

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Existem teorias que dizem que o bebê entende que o mundo é ele e que ele é este mundo, se apenas as instituições se focarem no cuidar (alimentar, higienizar…) como essa criança irá se distinguir do exterior?

 

A criança, por meio do toque, da fala e das atividades propostas pelos professores, irá compreender e se relacionar com o mundo a sua volta, ela não irá vê-lo como sendo a si própria, pois entenderá seus limites corporais e, consequentemente, irá aprender a se diferenciar do outro. Porém, tudo isso estará ligado ao cuidado com que este professor irá realizar cada uma dessas coisas.

 

A LDB exige que os centros educacionais promovam atividades que auxiliem no desenvolvimento das crianças, por isso os profissionais do berçário precisam entender que eles devem colocar na rotina dos bebês práticas pedagógicas.

 

Mas como fazer isso?

 

Assista ao vídeo abaixo, onde a Prof. Ms Renata Miranda explica o que deve ser ensinado no berçário e como realizá-los com as crianças.

 

 

 

Muitas instituições e principalmente os profissionais que atuam nelas, ainda não conseguiram desvincular o caráter assistencial do berçário em escolas de Educação Infantil, graças a isso eles não compreendem que existem coisas para ser ensinadas aos bebês visando seu desenvolvimento.

 

No vídeo, a professora Renata mostra os eixos norteadores do que deve ser ensinado no berçário junto com a explicação daquilo que você precisará para tal, desde o uso de estímulos sensoriais e motores até aos empréstimos dos seus conhecimentos para que a criança aprenda a brincar.

 

Entenda: os bebês não sabem brincar, você precisa ensiná-los!

 

Assista mais dois vídeos a respeito disso.

 

 

 

 

O que você precisa saber sobre berçário?

 

Em todos os vídeos apresentados até então, nota-se que existem atividades pedagógicas que precisam ser ensinadas aos bebês, mas não que deixam de lado o cuidado que se precisa ter com eles.

 

A comunicação das crianças para com os adultos se dá através do choro e dos gestos corporais, se o professor não saber identificar o que cada coisa significa terá problemas para lidar com aquela criança, pois não saberá como reagir em seguida, o que pode fazer para descobrir as razões dos resmungos, do choro, do movimento com as mãos ou do corpo todo e assim consequentemente.

 

O professor precisa se especializar na linguagem dos bebês!

 

As crianças do berçário não falam, mas se expressam de inúmeras formas, e é a partir delas que o docente irá entender suas necessidades, desejos e desgostos com relação a algo.

 

Se o professor irá promover atividades pedagógicas na instituição para os bebês, ele precisa estar ciente ao longo do processo como a criança está se relacionando com a prática, se está dispersa com algo ou se observa a ação de outras crianças na mesma atividade para repeti-la.

 

Os profissionais do berçário precisam conhecer as fases do desenvolvimento infantil para poderem observar como os bebês estão reagindo a determinado estímulo ou se eles estão desenvolvendo certas funções naturalmente.

 

Outro ponto importante a respeito do berçário são os cuidados de primeiros socorros com os bebês, os professores precisam saber como agir em caso de queda, conhecer desde manobras de desengasgo até os procedimentos de reanimação. Imprevistos podem acontecer e os docentes que lidam com essas crianças precisam estar cientes das atitudes corretas tomadas em tempo hábil podem impedir que fatalidades aconteçam.

 

Além disso, existe muitas coisas para se pensar a respeito do berçário e como tratar as crianças que estão nele, sempre, obviamente, respeitando-a como sujeito histórico-cultural e com suas particularidades.

 

 

 

 

Escrito por: Bruna Lisboa, 04 de dezembro de 2017.

Colaboração de: Profa. Ms. Erika Regiani, Profa. Ms. Michelle M. P. Silva e Profa. Ms. Renata Miranda de Araújo.

 

 

Referências

 

BILÓRIA, Jéssica Ferreira. METZER, Andréia Cristina. A importância da rotina na Educação Infantil. Disponível em: < https://goo.gl/rVrg8q > Acesso em: 20/11/2017.

_____ Brasil. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: < https://goo.gl/JKLrYY > Acesso em: 15/11/2017.

OLIVEIRA, Débora Regina de; MIGUEL, Ana Silvia Bergantini. A nova concepção de creche pós-LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9.394/96). Disponível em: < https://goo.gl/k27QYN > Acesso em: 15/11/2017.

REGIANI, Erika Aparecida. A Infância Abandonada nas Misericórdias Brasileiras. Monografia (Administração, Supervisão e Orientação Educacional) – Curso de Especialização da Faculdade do Noroeste Paranaense e Instituto de Estudos Avançados e Pós-Graduação. Nova Esperança. Fanp e Esap; 2003.

SILVA, Carmem Virgínia Moraes da; FRANCISCHINI, Rosângela. O surgimento da Educação Infantil na história das políticas públicas para a criança no Brasil. Disponível em: < https://goo.gl/aX11fZ > Acesso em: 15/11/2017.

VITTA, Fabiana C.F de. Cuidado e Educação nas atividades do berçário e suas implicações na atuação profissional para o desenvolvimento e inclusão da criança de 0 a 18 meses. Disponível em: < https://goo.gl/L54j11 > Acesso em: 15/11/2017.



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